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Contra Marta, "exército" de 200 mil motoboys vira alvo de Maluf e Serra

8/8/2004
CATIA SEABRA
Folha de S. Paulo

Com a distribuição de camisetas e a promessa de extinção de taxa para regularização da categoria, o candidato do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, dá a largada a uma corrida pela conquista de um exército estimado em até 200 mil eleitores: o dos motoboys. Hoje, o Grupo de Apoio ao Motociclista Profissional oficializa sua adesão à candidatura de Maluf. Além de camisetas, a campanha produziu adesivos com a inscrição "Motoboy é dez. Maluf é 11".

Mas, nessa disputa, o tucano José Serra não fica atrás. Ainda nesta semana, Serra deverá receber a manifestação de apoio de dois grupos até mais representativos: o Sindmmoto (Sindicato de Trabalhadores Motociclistas do Município de São Paulo) e a Abram (Associação Brasileira de Motociclistas). Segundo dados do sindicato, o Sindmmoto representa, pelo menos, 40 mil motoboys. Já a Abram tem 12 mil trabalhadores filiados. O grupo que aderiu à campanha de Maluf tem 25 mil integrantes e, na mais recente manifestação, reuniu mil motoboys.

O combustível dos dois é o mesmo: a resistência que a prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy (PT), enfrenta no setor desde a fixação de regras para a prestação de serviços de motofrete, especialmente depois de 22 de abril, quando começou a fiscalização. Presidente do grupo de apoio ao motociclista, José Geraldo Silva diz ser filiado ao PT e conta que apoiou Marta em 2000. Este ano, fará campanha para o candidato do PP. "Maluf prometeu acabar com as taxas. Serra vai mantê-las. Para nós, não interessa", disse. Um dos interlocutores do PSDB com a categoria, o candidato a vereador e ex-presidente nacional do partido José Aníbal, diz que a idéia é manter taxas para a regulamentação, desde que cobradas das empresas. Não do motoboy.

Serra, porém, tem outro atrativo: a promessa de apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à regulamentação da categoria no Estado. No último mês, o coordenador de saúde da campanha tucana, Milton Flávio Marques, recebeu o presidente do Sindmmoto, Aldemir Martins, o Alemão.

Há duas semanas, o subsecretário de Segurança Pública, Moacir Rossetti, reuniu-se com o sindicato para discutir a regulamentação, incluindo a autorização de uso de colete de segurança para serviços de entrega e até mesmo a criação de uma delegacia especializada em roubo de motocicletas. Até 2002, o Sindmmoto era filiado à CUT. Agora, é vinculado à CGT.

Segundo Martins, o sindicato é favorável à regulamentação do setor, mas com taxas menores e arrecadação destinada ao benefício do motoboy. Além disso, queixa-se, a gestão Marta demorou três anos para a adoção das regras. "Sou filiado ao PT e estou decepcionado. Temos um protocolo de intenções com o governo do Estado e estamos fechando, formalizando nosso apoio a Serra." Queixando-se ainda da decisão da prefeita de proibir reunião de motociclistas na região do estádio do Pacaembu e do projeto que impede o uso da garupa, o presidente da Abram, Lucas Pimentel, deve declarar apoio a Serra nesta semana. Essa, diz, é a primeira vez que a entidade se manifesta politicamente. Com o apoio de José Aníbal, ele organiza um ato contra a aprovação na Câmara Municipal do projeto que veta a garupa.

Ruído das ruas

Os sindicatos parecem sintonizados com o ruído das ruas. Irritados com os custos (de cerca de R$ 250) e o tempo exigido (de no mínimo uma semana) para a obtenção de licença, os motoboys prometem responder nas urnas. "Acho que vou votar no Serra. Tudo, menos a Marta", diz Rodrigo Dany Hernandez, 24. Na moto ao lado, Cícero Amaral, 30, é eleitor de Maluf. "Ele é cara de pau, mas faz alguma coisa". Também estacionado em rua vizinha ao cartório para o qual trabalham, Monteval Batista dos Santos, 28, se diz um ex-eleitor de Marta.

Deles, só Jefferson Gerena iniciou o processo de registro na prefeitura. Já gastou R$ 100 no curso e com as certidões. Agora, faltam outros R$ 150. Na porta de uma loja de peças, Roberto Ramos Silva ironiza: "O único motoqueiro que vota nela [Marta] é o Supla". Não é à toa que tanta gente quer pegar carona no movimento. Hoje, a frota de motos na cidade é de 472.337, contra 295.358 em 1997.

José Aníbal prega a valorização dos motoboys. "A cidade não pode ver como inimigos 200 mil que arriscam a vida no trabalho. Temos que criar uma convivência."



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